terça-feira, 17 de maio de 2011

O Pisquila, o Raul e os tempos loucos da infância...

Em certas oportunidades, agora por exemplo, me vem aqueles pensamentos antigos. Parece que minha memória recusa algumas coisas e viaja no tempo a procura dos sonhos que sonhei e das coisas que aconteceram. 

É..., o "Pisquila" foi um garoto que me desafiou e me fez ter a primeira grande atitude. Quando rolava o jogo de salão no Cecam, sem querer toquei no pé de apoio dele que caiu, mas nada sofreu, não houve nenhuma lesão, nem raspão no joelho como de hábito. Todos, meus irmãos e o Edson irmão do Pisquila, aproveitaram o momento para ver quem era mais forte: Eu ou o Pisquila. Ficaram lá incentivando uma luta entre nós. Me contive, evitei, fiz de tudo, mas pareceu para todos que estava com medo. Na verdade, estava mesmo, tinha medo de machucar o Pisquila e, ademais, sempre fui adépto da paz e do amor.

Eram tempos de Raul Seixas, "...quem não tem colírios usam óculos no escuro..." de outro cantor que já não me recordo, mas era assim que cantava: "Poxa como foi bacana te encontrar de novo, junto com meu povo...". Eram tempos que nas tardes de chuva de verão corríamos para jogar bola no campo encharcado, só pra dar aqueles carrinhos que levantava tudo pra cima, principalmente o adversário, mas tudo pra se divertir. Nas noites de Lua cheia, (vem daí meu amor pela Lua), a gente gostava de desafiar a escuridão e batíamos a maior pelada no campo de futebol.

Eram tempos em que florescia minha primeira paixão: a Magali, uma moreninha alta que era linda, mas também parecia a Olivia do Popye, (é assim que se escreve?). Ela não me dava a menor bola e a Zé Nide era caidona por mim. Zé Nide tinha um cabelão preto que parecia chegar aos pés, irmã da linda loura Net, (não é a TV a cabo, rs), garota mais linda de Andradina, paixão do meu irmão Domingos, que ká entre nós, nunca teve a menor chance com ela. O Gustão era o cara que tinha controle do coração dela. Enfim, eram estes o tempo que me refiro.

Aos domingos tinham, vez ou outra, torneios de Papagaio. Meu Pipa nunca ganhou só que eu amava aquelas manhãs que se prolongavam por todos entardecer.

Eu pescava no "Córgo" da avenida Pernanbuco, ficava ao lado do Prostíbulo, as vezes dava pra ficar louco com algumas cenas que pude ver. My God, eu tinha só 11 anos!

Oras, tentei a todo custo evitar aquela luta, não consegui. O Pisquila se sentiu o Hércules vendo que eu tentava fugir do confronto. Me agarrou e tentava me socar por baixo e por cima. todos gritavam que eu estava perdendo a luta do Pisquila e tudo que queria era só evitar que nos machucássemos. 

Os socos do Pisquila eram como uma Pena de ave, não dava nem pra sentir de tão frágil que ele era. Então, abracei ele bem forte, me joguei ao chão mas de forma que não nos ferissemos no áspero chão da quadra de esporte. Todos sentenciaram que eu tinha perdido a luta e eu fiquei na boa, um pouco com vergonha, mas super orgulhoso por não ter machucado o Pisquila. 

Por muito tempo tive que aguentar as ondas de todo mundo, até a Magali me zoou, talvez por isso eu nunca tenha chegado tão próximo dela para um beijo. Virou o maior amor platônico da minha vida e me recordo sempre que acho que o mundo acabou.

Foram tempos bacanas, divertidos e cheios de aventuras bem sucedidas. È fascinante lembrar de tudo isso e perceber depois de tanto tempo que a vida é divinamente maravilhosa e cheia de inovações. É...a aventura continua...

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