sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um tempo, há 38 anos atrás...

"Lembro das borboletas revoando as florês dos jardins das casas e até, mesmo, nas florês do meio do mato. Era um garotinho que adorava andar e olhar as belezas da natureza, que pescava lambarís no córrego que "nascia" na floresta e se perdia na Avenida Pernanbuco. Um tempo em que tinha mais claro o valor de certas coisas. 

Ia pra escola no São Francisco todos os dias às 12:30. A escola ficava na beira de uma praça que meu pai costumava me levar pra sentar no banco, respirar fundo, curtir o final de tarde e olhar as nuvens de andorinhas que se amontovam nas árvores nos finais de tarde do outono. Uma rotina que geralmente se sucedia nos domingos ou feriado.  Quando chovia e, ao mesmo tempo, fazia Sol, tinha um Árco Íris que pintava no horizonte e meu pai começava a contar aquela velha história"..."Leonel, lá está o simbolo da aliança entre Deus e o homem, este arco de 7 corês, meu filho, é o compromisso de Deus de que nunca mais a Terra se acabará em água"...Eu achava aquilo tudo muito mágico, devia ter uns 8 ou 9 anos de idade.

Papai era um homem muito correto, sua palavra valia mais que qualquer quantia de dinheiro. Adorava passear com ele, mas as vezes o sentia meio triste e solitário. Era desolador poder constatar em sua face os olhos caídos como marca de uma vida carregada de história e forte sofrimento. Naquela época, jamais imaginaria, o que significava pra ele a distância que mantinha, durante o meio de semana, com minha mãe e de todos os meus 10 irmãos. Ele trabalhava na Barragem da Usina de Jupiá de segunda a sábado, dormia por lá e retornava sempre por volta das 20 hs de cada sábado. Ele tinha pouco tempo pra ele, pouco tempo pros filhos e muito pouco tempo pra minha máe.

Os sábados, portanto, eram momentos de expectativa. Havia sempre aquela coisa do que papai traria ao retornar. Normalmente, ele trazia peixes enormes, de 15 a 20 kilos, Pintado ou Jaú. Minha mãe fazia na panela com batata, assava e sempre fazia um pirão, nossa, uma delícia. (estou enrolando, mas vai chegar onde deve, continua...)

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