sábado, 2 de outubro de 2010

Lula: "Você já viu petista e corintiano perder esperança?"


Estrela do último comício da candidata petista Dilma Rousseff antes das eleições, o presidente Lula tentava atender com alguma frase marcante as milhares de pessoas que disputavam sua órbita, na manhã deste sábado, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Da multidão de jornalistas, militantes e eleitores comuns, questionaram se sua ex-ministra da Casa Civil levará a vitória no primeiro turno:
- Leva.

Em seguida, se ele estava confiante para a votação:
- Muito!... Você já viu um corintiano ou um petista perder a esperança?

A cidade onde Lula começou sua carreira política parecia redescobri-lo. Sua imagem causou surpresa em diversos rostos que assistiram à passagem da carreata.
- O Lula! - espantou-se uma mulher, enquanto saltava para trás, refugiada numa loja do centro comercial.
- Não é o Lula não - duvidou a mãe.
- É - intercedeu a filha.

Operários pararam uma obra. "Aí, pra você que nunca viu o Lula", escutou um dos mais jovens, boquiaberto.
- Ó o Lula lá, mano... - estarreceu-se outro.
Parecia que o presidente, que tem residência na cidade, jamais havia passado por lá. Seu berço político, o Sindicato dos Metalúrgicos, por exemplo, já não é uma referência tão marcante. As três primeiras pessoas consultadas por Terra Magazine não souberam indicar a localização do prédio, onde Lula e Dilma davam entrevistas antes do desfile pelas ruas. E não foram as únicas.
- ¡Carácoles! - não acreditou o taxista boliviano, ele próprio ciente da importância do lugar. - Ah, onde o Lula comenzó!
"Ordem antichuva"
Do Sindicato, partiram num jipe Lula, Dilma e o candidato a governador paulista Aloizio Mercadante. Concorrendo para se tornar senadora, Marta Suplicy tentou pegar carona na frente, mas acabou em outro carro, ao lado do ex-marido e senador Eduardo Suplicy e do vereador paulistano Netinho de Paula, candidato ao Senado na sua chapa pelo PCdoB.
- Agora tá certo - aprovou a substituição Dilma, quando a primeira-dama Marisa Letícia ocupou a vaga deixada por Marta.
Antes da saída, era visível a preocupação de Lula e Dilma em se equilibrar no veículo, rodeado por seguranças e assediado pelo empurra-empurra da mídia e dos militantes.
Outro motivo de apreensão foi ver cinegrafistas e fotógrafos sobre uma marquise, enquanto a maré humana escorria.
- Não pode, olha as pessoas embaixo - criticou Dilma, insistindo com gestos, muito incomodada com a possibilidade de uma tragédia.

- Capa de chuva - anunciou o vendedor ambulante, sob o tempo nublado.
- Não vai chover. Não vai chover, que a Dilma não vai deixar - retrucou um seguidor da comitiva.
A garoa que, por ventura e desavisada das ordens da ex-ministra, tenha caído não atentou contra o figurino especial da primeira dama. Ao final do passeio, fãs pediam uma lembrança.
- O chapéu? Não é meu, é emprestado - justificou Marisa.

O estudante Douglas Sales, o Dodô, de 18 anos, conseguiu autógrafos de todos os candidatos presentes e de Lula na sua camisa do PT, que ainda foi beijada por Dilma. "Tem (assinatura) de todo mundo. Só falta o Tiririca!", comentou, empolgado com sua primeira eleição.
Casório
Quando a comitiva chegou ao seu destino final, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, o barulho passou a concorrer com a cerimônia de um casamento. Se a noiva tivesse atrasado mais alguns minutos, teria dificuldade em passar pelas grades que fecharam uma das ruas.
Pela outra lateral, um Rolls Royce conduziu o casal à lua de mel. O padre Giuseppe Bortolato também se disse surpreso:
- Não avisaram ninguém aqui. Mas não atrapalhou - testemunhou, um tanto chateado pela pouca frequência do fiel mais famoso daquele paróquia: Lula.

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