terça-feira, 25 de setembro de 2007

1984: "O Inverno foi deles, A Primavera será Nossa"...

O inverno não foi tão rigoroso como na Polônia..., aqui na Unicamp apenas um vento gelado soprava dos Polos por todos os cantos abertos do Campus...o que tornou, de certa forma, aquelas madrugadas de junho inesqueciveis... Por esta - entre outras razões - tudo que aconteceu fora eventos, história de vidas e fatos extraordinários... Nós concluímos que fomos derrotados em nossa aspiração maior no movimento grevista daquele ano. Era meu primeiro semestre de trabalho na Universidade e realizava atividades gerais no Setor que ficaria conhecido por todos como a "Serra Pelada", não atoa: Era uma multidão de homens com picaretas. enxadas, enxadões, martelos, tratores - entre outras - ferramentas e máquinas amontoados num barranco de duas guadras localizada ali na parte baixa das DGAs. A DGA 6, Manutenção Geral, nomes oficiais do local...não pegaram no meio popular, nem oficial, nos corredores, nas circulares e nos zun-zunzun do dia a dia predominaram o apelido - o nome de guerra - de onde se acha pedras preciosas...Foi ali, distante das preciosidades, porém, na riqueza de solidariedades e união que liderei junto com outros bravos combatentes a primeira greve. No meio dos barros, nos buracos que cavava, nas massas e concretos, em cada tijolo: Em cada suor do trabalho cansativo construi uma liderança que me fez produzir discursos em reuniões, passeatas e assembléias, as vezes até sob o olhar atento e professoral de Clóvis Antônio Garcia - "O Vereador" -um dos primeiros vereadores do PT de Campinas, mais conhecido como Clovão. Um líder de poder de oratória incomparável que sabia proferir cada frase no seu tom adequado, conseguindo colocar tudo numa sincronia de início, meio e fim que nos levava às loucuras por um ideal revolucionário e socialista. Clovão, um professor natural dos militantes, era destes que colocava o coração na ponta da língua e num linguajar invejável reunia todas as aspirações num resumo de idéias que nos unira até sua morte em 1985... Aquele som maravilhoso do seu Discurso finalizando sempre aos berros e gritos de guerra: "O inverno foi deles companheiros, Mas a Primavera será Nossa!" Contagiava todo mundo... Nos consideravamos os donos de um verdade absoluta que, "hj sei que não é bem assim", nos possibilitava ter as maiores convicções em cada momento de reflexão e de batalha nos campos de disputas das idéias daquele período. Foi assim que saímos de um movimento que de certa forma fora vitorioso, mas que naum tinhamos atingido a meta principal, para a deliciosa movimentação que nos levou a mais linda campanha pela conquista da ASSUC - Associãção dos Servidores da Unicamp. "O inverno foi deles, a Primavera será Nossa"...Primavera eram os militantes e guerreiros que se propuam tomar a ASSUC nas eleições de novembro de 1984 para transformá-la num Sindicato de luta, Cutista, portanto de combate as opressões aos trabalhadores e na luta por nosso objetivo maior o Socialismo. Lógico que queríamos uma Universidade dos Trabalhadores, lógioco que queríamos e sentiamos a revolução sempre a um passo das nossas ações revoluciionárias...Se aquele ano ficou marcado por derrotas, pois eles tiveram não só o inverno mas também ganharam a Primavera, por outro lado: A infelicidade nas urnas evidenciou que não se tem a Primavera se não tivermos a capacidade de juntar todos os valentes juntos numa mesma causa e foi desta forma amarga que descobri o terrivel sabor da derrota e a enorme necessidade de pluralidade na Unidade na Diversidade...afinal de contas a Primavera bela e linda não se é de uns nem hj, nem amanhan: Sempre ela será de todos...assim como o amor está para os românticos a Primavera está para todos. Não há Socialismo sem a unidade da classe, Portanto, o Socialismo só é possível com uma nova cultura social, com uma revolução individual, uma adesão das pessoas a cultura do comum...Se nós perdemos aquela Primavera na vida política - igualmente ao que aconteceu com os Trabalhadores da Polônia - no mundo do amor as coisas foram mais lindas e saborosas para todos: Romeu se envolveu romanticamente com a Julieta, o Marquês com a Juliês, entre outros, e mais tarde conheci a mãe do meu filho, Helena, a qual tive o prazer de viver muitos anos depois...Pois, de alguma forma, aquela Primavera foi nossa mesmo...fomos vitoriosos no campo do amor, no campo da idéias - de certa forma - e estremamente vitoriosos no campo da construção de uma educação política que nos levou a mais tarde conquistar a ASSUC com a famosa e poderosissima idéia do "É Proibido Proibir". É outra escepcional história que algum dia quero ter o prazer delicioso de contar por aqui... O que vale dizer é que amo a Primavera e é nesta estação que a gente descobre o quanto o mundo é mágico e nos faz sentir uma pedrinha escolhida pra viver intensamente neste imenso Universo... Isso é um imenso desafio, viver...Talvez por isso é que sinto uma grandiosa energia quando passo próximo de um Ipê e talvez isto explique porque eu vivo agarrando as árvores por aí...Eu amo tudo que me prove o amor e agora é o momento mais lindo das estações, pois vemos a vida e as mágias em todos os cantos e lugares... Aproveite..., Mané ou Manuela, pois esta e todas as Primaveras são de todos, inclusive de vcs...

3 comentários:

  1. Caro Miguel, gostei muito de sua cronica, mas penso que não se deve expor a partilaridade das pessoas, mesmo que elas já tenham morrido. O Clóvis faleceu faz tempo, mas neste época era casado e pai de dois filhos, penso que a família dele não vai ficar nada feliz em ler seu comentário:

    Clovão se envolveu romanticamente com a "Fátima".

    Acho que devemos preservar a memória de nossos entes queridos, talvez voce não o tenha conhecido suficiêntemente bem, para entender o quanto ele valorizava sua FAMILIA.
    E que sua vida particular se resumia em esposa e filhos.
    É uma pena que depois de 22 anos de sua morte, ainda me deparo com este tipo de comentário que não acrescenta nada a vida dele, e que seus valores como homem, amigo e politico, defensor dos trabalhadores são muito infinitamente maiores que qualquer tipo de comentario infeliz.
    Agradeço sua atenção.

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  2. Meu caro amigo anônimo: Peço-lhe desculpas, e também ao nosso amigo que está certamente em bom lugar. Agradeço pelo seu comentário, espero que continue comentando os textos e me chamando a atenção sempre que julgar necessário.

    Abraço!

    Miguel

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  3. Lógico que fiz a correção, nada consta agora naquele sentido.

    Miguel

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