domingo, 2 de setembro de 2007

1976: A migração pra Campinas, num era um "pau de arara", parecia...

Dorinha, minha irmã mais velha, resistiu o quanto pôde, fez de tudo, até o último minuto...ela namorava um tal de Joaquim - um homem moreno que tinha um opala 74. Ela não tinha como saber que era em Campinas que encontraria o amor de sua vida, Antônio, com quem viveu os segundos finais ao seu lado...Mas ela se dizia muito apaixonada por Joaquim...Devia ser mesmo! Nossa última noite em Andradina, em setembro de 1976, ela passou fora e até imaginávamos que tinha fugido do destino inevitável de vir pra ká...Naquela noite, mal conseguimos dormir, a preocupação por onde estaria a Dorinha e por outro lado a arrumação de todas as nossas coisas em trouxas, sacolas e numas malas que mamãe tinha. Pela primeira vez viajaria de Trêm e por um lado estava muito ansioso e noutro reinava aqui dentro uma tristeza enorme por deixar amigos e minha cidade linda, Andradina. Eu tinha me acostumado a ouvir o apito do Trêm das 5 da manhan todos os dias em minha cama, agora, na madrugada seguinte, eu estaria nele rumo a um cidade grande a qual meu pai dizia ter enormes prédios e quilometros de extensão, que poderíamos nos perder nesta selva de pedras. O Tejota, meu irmão mais velho, estava em Lins, tinha servido o exército e por algum motivo ainda ficava por lá. Deram o apelido de Tejota pra ele por causa do seriado "Swat", tinha um personagem que se chamava Tejota, mas na verdade meu irmão se chama José Aparecido, porém o apelido pegou tanto que todos o chamam até hoje de Tejota, é mole? Pois...Tejota num estava conosco...Nossa busca foi em vão, durante toda a noite Dorinha ficou fora, mamãe se desesperou...acordamos as 4 da manhan, pegamos todas coisas, inclusive as vasilhas com farofa, frango, arroz...minha mãe começõu a contar: João, Dié (era eu), Antonio, Jorge, Jaime, Luzia, Lourival, Paulo..."mãe cadê a Dorinha?", pergutamos..."não sei!" Minha mãe estava aflita, naum era por menos, estavamos indo pra Campinas sem ter avisado meu pai que morava e trabalhava aqui...minha mãe dizia que ele tinha outra mulher por aqui mas nós nunca acreditamos. Meu pai sempre foi um Homem sério, honesto, trabalhador e muito paizão. Cuidou, nos alimentou da melhor forma...Um Carpinteiro tão trabalhador que as vezes achava que construiu a Barragem de Jupiá sózinho...E fomos descendo a rua Santos Dumont, ainda dá pra ver a imagem de minha casa de madeira ficando pra trás...cada passo que eu dava era umas duas ou três olhadas pro nosso mundo que ficava...em cada casa de amigo que passava dava aquela vontade de gritar: "Fulano, estamos indo...voltarei qualquer dia pra um passeio!" E foi assim que chegamos quase que em cima da hora do Trêm encostar na Estação. O Trêm veio apitando, atravessou a avenida Paes Leme e já pudiamos vê-lo se aproximando. Mamãe já tinha comprado os bilhetes...entramos a bordo, tinha muitos bancos de madeira, tipo daqueles de praça...nos ajeitamos uns perto doutros...minha mãe permaneceu lá fora, na calçada da estação, olhando pra todos os lados...derrepente, ouvimos o grito da mamãe "corre Dorinha!". Olhamos pro lado oposto da Paes Leme e Dorinha vinha numa carreira só...deu tempo, ela entrou de mãos dadas com mamãe, chorava como se fosse um bebê...estávamos todos juntos...o Trêm apitou e partiu...um fumaceiro do carvão, o balanço pra lá e pra ká, senti uma felicidade por estar naquele Trêm...todos nas janelas observando a nossa cidade que ia ficando pra trás...é dificil esquecer estas imagens...nem os sentimentos que ficaram desta partida...agora, ficou pra trás...tudo foi ficando pra trás...(continua, com a chegada em Campinas)

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